quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O tempo bom que não volta, nunca mais...

Antes do durag na cabeça, dos bling bling no pescoço e na orelha, da bike low rider, do ipod pra curtir Tupac, Talib e Mos Def, Sabotage, Kamau, Slim, e mais mil som doido jogando um basquete ou dando uma twittada na madruga. Antes disso era tempo pro gueto, o tempo bom.
Quem se lembra das tretas, trapaças e alegrias das antigas? Sumir no mundão dá perdido na mãe pra colar com a galera no córrego, roubar batata doce no varejão da esquina pra assar na fogueira á noite, entra na casa de bacana quando a burguesia saia de viagem. Era mil fita mano, sagacidade a todo custo, brigas e mais brigas no campinho de futebol.
Lembra que tinha tempo pra tudo no ano? Era tempo de rodar pião, correr atrás de doce (dia de Cosme e Damião), soltar pipa, jogar biloca, invadir colégio pra roubar manga (a casa dos vizinhos também).
Nesse tempo não tinha preocupação com dinheiro, não tinha cobrança de alguém que você nem conhece, te ligando, te enchendo falando que o mês já venceu. Fudeu mano tudo mudou a gente cresceu, "(viadutos viram casas, papelões viram colchões, latas viram panelas, lixo se torna refeições, jornais cobertores, pessoas animais, tratados como pragas do tempo moderno nas grandes capitais, na terra do consumismo onde o consumo te consome.
Onde compro o que não preciso para saciar minha fome, de poder, de querer, de ter, e mostrar, a vida é um grande carnaval se tem que se fantasiar pra ser alguém pelo que tem, nunca pelo que é buscando brilho do ouro ou no estrondo numa balada qualquer ou pela mulher do seu lado
relógio no pulso carro na garagem ou pela marca de roupa que uso, e assim transito
sem um brilho na retina, procurando amores, felicidades nos bares de esquina
Pois a rotina tirou a inspiração da poesia, tirou as cores do pincel do quadro
que o pintor coloria, tirou a emoção da canção e de quem a fazia, tirou a felicidade
do palhaço e o sorriso da alegria, tirou as cores do arco-íris e o canto dos pássaros, tirou a força da luta e pos o medo do fracasso, tirou o brilho do olhar e te deu óculos escuros, tirou o prazer de caminhar e te deu transporte rápido e seguro
me deu a paz através de armas e grades.O amor própio através de fama status quilates, me deu a liberdade pos isso devo agradecer por aumentar a corrente da bola de ferro presa no meu tornozelo(*)". Em meio a isso tudo, tenho orgulho de ter nascido pobre e feito vários amigos de verdade, agora que estou mais um pivete “é o tempo passa” vivendo esses novos tempos posso encontrar meus amigos na rua e relembra o tempo bom que não volta nunca mais, e permanecer feliz.


[Sean Williams]

*[alguns trechos da música novos tempos – Slim Rimografia]